1 de set de 2015

Não trabalhamos com segundas opções

Não ouse ser uma dessas pessoas que tenta-se a escrever porque quer ganhar dinheiro.
Ou porque não observa nada de interessante acontecendo.
Ou porque acha que está na moda.

Escrever é não saber,
não procurar,
não fugir,
não fomentar desculpas,
não ter outra opção,
não controlar-se,
não conseguir nem ao menos
abrir a janela lateral,
e muitos outros
nãos.

Esses nãos precisam existir
para que
por fim
tudo termine
em
Sim.


27 de abr de 2015

Review semiótica do clipe de Style (Taylor Swift)


Antes de começar, queria dizer algumas coisas; pequenas, mas necessárias.

• A Semiótica é a ciência geral dos signos. Qualquer sistema sígnico está incluso, não tem uma segmentação em relação à abrangência. Estudei superficialmente diversos autores, mas aprofundei o estudo somente na Semiótica Peirceana (que é a que vocês verão nessa review).
• Se você não gosta, não "acredita", não vê sentido algum na Semiótica, eu não faço ideia de como você parou aqui, mas peço que nem leia, pois vai perder seu tempo. 
• Essa review foi publicada em um grupo fechado em fevereiro, alguns minutos após o clipe ser lançado. Não foi feita pra nenhuma pesquisa ou trabalho acadêmico, nem com a intenção de ser completamente formal. Escrevi por puro hobby e amor à semiótica. Muitas pessoas sabem que eu gosto bastante da cantora e esse clipe foi, definitivamente, o meu preferido dela. Enfim, fiquem com a resenha/review. 


Aconselho a abrir uma aba com o clipe para um melhor entendimento.






Vamos começar do começo. O clipe já começa com ela possivelmente nua, num fundo branco. E a projeção dentro da cabeça dela remete às lembranças, pensamentos, memórias, etc. Aí começa a música e na hora já começam os flashes dos momentos que ela compartilhou com ele. E ela ter mostrado o colar já no começo é pra realmente entenderem que sim, é sobre o Harry (porque aparentemente só o nome da música não bastava). Ao mesmo tempo que aparece ela começando a recordar, mostra ele já aparentando uma inquietude. No 0:30, quando ela tá preenchida e trabalhada em woods (galhos, floresta, sombras), já passa a ideia do clipe, das booty calls* e de um relacionamento nas escondidas. Em um dos flashes, quando o vento bate no rosto dela e faz os cabelos voarem pra trás, nos remete à sensação de liberdade, como se ele estivesse libertando ela, ou vendo um lado dela que nem todo mundo conhece. Aí a projeção aparece pra ele também, que já tava inquieto, e remete ao pensamento/lembrança/etc dele. Todas as cenas de flashes são parecidas por serem curtinhas, mal dá 1 segundo por flash, o que faz alusão ao tempo - que passava muito rápido enquanto eles estavam juntos (aliás, vale eu ressaltar aqui que diversas vezes aparece o sol/sunset e em 0:46, quando ela meio que acorda, remete muito ao relacionamento deles, visto que em quase todas as músicas (rumores) de um pro outro eles citam o sol/waking up/afins). Quando ela canta "fade into view, oh" também é importante a parte que ela prefere nem mudar rapidamente a cena, só abaixar a luz, como se ele desaparecendo da vida dela tivesse deixado ela sem rumo, luz, ou guia. O "I should just tell you to leave" mata. Primeiro porque ela já tá com roupa íntima enquanto canta (reforçando a ideia da booty call), segundo porque a projeção aparece no rosto dela trabalhada nos galhos e no escuro, reforçando ainda mais a booty call e o relacionamento às escuras. A cena que antecede o refrão é um espelho quebrado, justamente remetendo à situação que ela não consegue evitar, mesmo vendo todo o cenário chegando e sabendo no que vai dar. E eu preciso mesmo detalhar o 1:17, com a projeção do rosto dele no vestido/corpo dela? 




Em 1:26, quando ela fala "we never go out of style" é genial a fumaça tomando conta da cabeça dela, persuadindo, confundindo e deixando claro o poder que ele tem sobre ela. Em 1:31, quando ela tenta tampar o rosto pra tudo desaparecer, é ele que ela vê. Outra parte genial: em 1:43, quando ela segura um pedaço do espelho e vira pro lado, mas no espelho ela continua olhando fixamente pra frente, remetendo absurdamente à confusão de ideias e a algo que ela não consegue controlar. E aí vem o "so it goes..." e a projeção da estrada no corpo dele... Preciso nem falar nada. Booty call. O 'lights are off / his taking off his coat' só reforça nosso jeitinho de cantar 'taking off his clothes' na hora. E aí ela cita a Some Other Girl™ e ao mesmo tempo ele já vai se despindo, bem como ela querendo ter uma discussão antes de algo rolar e ele mal e mal explicando que a outra foi tão insignificante que não precisou de meio segundo no clipe. E que aí depois dessa específica booty call, piorou bem mais a situação de não conseguir evitar/não ter controle; Assim como os raios que, emocionalmente representados, indicam o desespero diante de uma circunstância. E aí vem a chuva, remetendo apenas à tristeza do afastamento necessário deles, mesmo sendo contra a vontade de ambos. As cenas deles quase juntas em cenários diferentes, de novo indicando o pensamento um do outro. No 3:03, de novo, ela possivelmente nua, virando pra trás e indo embora, enquanto projeta ele no corpo dela e no pôr/nascer do sol (eles têm uma thing com isso; já falei, né?!) e na mesma hora um pássaro voa, indicando a liberdade dos dois. E é MUITO importante que no final ela que segura o espelho, ela tira as mãos do rosto, remetendo apenas à aceitação dela diante da situação de ambos e de um relacionamento conturbado. E aí a vida deles tá ok, mesmo pensando um no outro, e num belo dia ela só chega e espera, porque né... we come back every time. E ela não consegue não voltar. E uma última observação: 90% do clipe é trabalhado no azul, que é uma cor fria, mas mesmo assim passa a sensação de harmonia e de ternura (por isso que o azul é, muitas vezes, escolhido pra ser a cor nos quartos de bebês) com alguns zooms no vermelho, como na cor de batom dela, remetendo ao amor, paixão e intensidade.




*Booty calls, de acordo com o Urban Dictionary: 1. noun: a person with whom one has sex at random times outside of a relationship. 2. verb: the act of calling said person. 3. noun: the term used to refer to said phone call. | 1. jessica is my boody-call. 2. i booty-called jessica last night. 3. jessica got a booty-call from me last night.

Espero que tenham gostado! Beijos 

28 de dez de 2014

Projeto Document Your Life


Oi, gente. Oi, blog. Quanto tempo!

Eu sei que esse ano foi um turbilhão de idas e vindas, altos e baixos e, principalmente, trabalhos e mais trabalhos. Mas, como tudo na vida é temporário, o stress também foi. E valeu muito a pena ter passado noites e noites em claro, porque eu atingi meu principal objetivo de 2014, que era conquistar a nota máxima na minha monografia.
2015 tá chegando e eu tenho inúmeras novidades pra vocês, mas vou falando aos poucos. Como 2015 será um ano de mudanças, eu queria registrar de uma maneira diferente todas elas. Não só através de um vídeo contando o que houve, mas mostrando pra vocês.

O Document Your Life é um projeto que nasceu no youtube, idealizado pela Lauren Hannah. Foi amor à primeira vista. Eu pesquisei alguns vídeos de outras pessoas que também aderiram ao projeto e me apaixonei, justamente por ser exatamente o que eu estava procurando.

O que é?
A ideia principal do DYL é mostrar, em um vídeo, o seu mês. Não só para compartilhar sua vida, mas para você mesmo perceber o tanto de coisa bonita que te cerca e você quase nunca se dá conta disso.

Regras
Essas regras foram feitas pela Lauren, criadora do projeto;
  • Qualquer um pode participar. Exceto bruxos das trevas e lordes Sith. Danem-se vocês.
  • Uma conta no Twitter não é obrigatória, mas é interessante. É uma boa maneira de assistir outros vídeos do projeto e compartilhar o seu.
  • Você não precisa de uma câmera profissional, pois iPhones e outros celulares que filmam HD são ótimos. A melhor qualidade é 720-1080p.
  • Tente não usar músicas famosas, pois você pode ter problemas com direitos autorais.
  • A Lauren montou um acervo super bacana de músicas que podem ser usadas nos vídeos, desde que você credite o artista na descrição. O link é esse.



Descrição e Tags
  • Depois de ter feito o upload do vídeo, tweet o link com a tag #DocumentYourLife e se quiser tweet também para @projectdyl.
  • Use as tags "Document Your Life” e/ou “documentyourlife" quando estiver adicionando tags no YouTube.
  • Inclua o link para o blog oficial do projeto e a página no Facebook na descrição do vídeo.
  • Coloque o nome da banda/artista e da música que você usou no seu vídeo e se possível um link para o site oficial deles como uma forma de agradecimento por ter usado a música.
Se você não sabe como começar a gravar, aqui você pode assistir a playlist da Lauren e ter uma primeira impressão de como é o projeto. E, clicando na foto abaixo, você pode assistir o primeiro vídeo que eu fiz para o projeto. Participem!


20 de ago de 2014

Os Três, de Sarah Lotz


Edição: 1 | Editora: Arqueiro | ISBN: 9788580412697 | Ano: 2014 | Páginas: 391 | ★★★★


Quinta-Feira Negra. O dia que nunca será esquecido. O dia em que quatro aviões caem, quase no mesmo instante, em quatro pontos diferentes do mundo. Há apenas quatro sobreviventes. Três são crianças. Elas emergem dos destroços aparentemente ilesas, mas sofreram uma transformação. A quarta pessoa é Pamela May Donald, que só vive tempo suficiente para deixar um alerta em seu celular: Eles estão aqui. O menino. O menino, vigiem o menino, vigiem as pessoas mortas, ah, meu Deus, elas são tantas... Estão vindo me pegar agora. Vamos todos embora logo. Todos nós. Pastor Len, avise a eles que o menino, não é para ele... Essa mensagem irá mudar completamente o mundo.

Antes de mais nada, eu preciso dizer que o livro não tem uma narrativa tradicional. A sua história é contada através do relato de personagens que tiveram algum tipo de contato com os eventos que o livro retrata. A leitura me lembrou muito Guerra Mundial Z, de Max Brooks, com uma diferença principal (e crucial): embora os personagens falem sobre eventos que já ocorreram, não sabemos o que aconteceu após a queda dos quatro aviões (e isso NÃO É SPOILER - consta até mesmo na contracapa). 




















O livro é contado por um livro dentro do livro (espero que tenha sido compreensível). Ele relata algumas teorias da conspiração e vai se encarregando de deixar o leitor ciente do cotidiano dos sobreviventes. Como os três sobreviventes acabam ganhando atenção da mídia, a história faz questão de abordar também os interesseiros e "aproveitadores" dos quinze minutos de fama dos sobreviventes, pondo em questão a amizade e até que ponto uma pessoa chega para ter sua imagem elevada ao mais alto nível - ainda que a queda pudesse ser muito pior.






Em Guerra Mundial Z, nós leitores sabíamos que havia acontecido uma grande "batalha pela humanidade" e  assim as pessoas contavam, por menores, das batalhas+prólogos sobre a situação pós-guerra. Já no desenvolvimento de "Os Três", a história é contada através de relatos e entrevistas com os personagens. Parece pouca diferença, mas na prática o estilo narrativo muda ainda mais. Logo, se você não gosta de livros com algum tipo de narrativa "não convencional", passe longe. A autora soube usar com maestria as referências de livros anteriores e durante to-da a leitura, nós temos que nos perguntar se tal acontecimento pode ser relacionado à religião, psicanálise, política, entre outros... Principalmente o comportamento das três crianças sobreviventes.


Ressaltei a narrativa atípica pelo simples motivo de o leitor se encarregar de deduzir muitas coisas. Nada vem muito "mastigado". Afinal, são relatos de pessoas que teoricamente também não sabem o que está acontecendo. Outro mérito da autora foi a forma com que ela soube conduzir o leitor ao final do livro, com pitadas de suspense e deixando-o acreditar que ele sabia de alguma coisa (saudades, inocência), hehe. Embora o livro seja bem envolvente, cai em alguns clichês do gênero. Vários eventos - inclusive o final -, podem ser interpretados de formas diferentes. Sabe aquele filme de terror clássico que "não tem fim"? O final do livro não fica muito longe disso não. 
No mais, recomendo a leitura. Dá um friozinho na barriga em diversos momentos, a diagramação e o design do livro estão fantásticos e dizem muito sobre o mesmo. Adiciona aí na lista de leitura!

15 de jul de 2014

TCC #2: metodologia, primeiros capítulos e todo meu ódio pela ABNT


Quem me acompanha pelo twitter e pelo meu canal no Youtube, sabe que estou no último ano da faculdade e sabe que - consequentemente - estou fazendo meu TCC. Aqui na minha faculdade não tem nada disso de TCC em grupo (como perguntaram no meu vídeo sobre ele), o meu erro foi chamar de TCC e não de Monografia. E como o nome já diz, só pode ser feito por uma pessoa e essa pessoa é obrigada a apresentar o projeto pra uma banca examinadora. PERIOD.



Não vou repetir aqui o que eu já disse nesse vídeo (aconselho que quem não viu, veja) porque se não o post ficaria muito maior do que o planejado. Mas o meu tema ficou mesmo sobre "A contribuição dos signos nas capas dos discos lançados durante a Ditadura Militar sob a perspectiva da semiótica Peirceana"(!) Eu sei que parece um bicho de sete cabeças, não digo que não é, mas também não é pra taaaanto. Depois de fazer a introdução e finalmente ter um ponto de partida, vem a metodologia - ou o demônio indesejado, caso você prefira chamar assim.

Pra quem não sabe, a metodologia serve basicamente pra você esclarecer qual o método de pesquisa você irá adotar no decorrer da sua Monografia. É uma espécie de "encher linguiça", porque todo mundo fica meio perdido quando precisa fazer mais de duas páginas apenas sobre a metodologia. Mas acredito que tenha sido muito mais fácil que a introdução, por exemplo. Porque pelo menos na metodologia a gente já tem um ponto inicial, e na introdução? Nada. A metodologia já pode ser considerada um capítulo, mas eu quis deixar só como metodologia mesmo. Porque aí entra a parte legal do meu tema: tem MUITA coisa a ser abordada.




Semiótica não é sobre signos do Zodíaco não (e muita muita muita gente me pergunta isso), é sobre o estudo de sinais. Expressões, gestos, olhares; a Semiótica está presente em tudo. E isso é a coisa mais fascinante sobre ela, sendo consequentemente o que me fez escolher essa matéria para trabalhar a fundo durante o ano inteiro. Por ser um tema muito abrangente e eu ainda ter escolhido a Semiótica do Charles S. Peirce (dá um google, vale a pena), fazer a metodologia foi consideravelmente fácil. O primeiro capítulo, que era pra ter no mínimo 5 páginas, teve 7. Não é porque eu quis e contei, é porque quando eu começo a escrever, eu só paro quando não consigo escrever mais nem um ponto final; e é raro ficar sem palavras quando o assunto é Semiótica, visto que ela divide-se em várias e várias partes e eu escolhi falar sobre a mais "longa". 




Acabei tendo um capítulo sobre a Semiótica Peirceana + 3 subcapítulos sobre a minha análise da perspectiva do Peirce(!!!) - rs. E um PLUS: meu orientador tirando meu pé do acelerador um pouquinho e me dando tempo pra respirar. Haja assunto e haja brainstorm, meus amigos. Eu não queria, mas eu faço questão de deixar claro aqui O QUANTO EU ODEIO ESSAS NORMAS ABNT! SÉRIO, tinha que ter tudo isso? Não podia ser só um capítulo nas Normas e os outros de boas com o espaçamento padrão do Word?! (Aff.) Mas voltando, depois dos subcapítulos, eu preferi deixar pra falar sobre a Ditadura em si e como influência na história do Brasil só na segunda parte da Mono. Porque tem muita coisa pra falar e eu não sei como vou raciocinar logicamente pra fazer um trabalho exemplar. Tenho um defeitinho um tanto quanto chato que é me dedicar até demais às coisas que eu faço sozinha. Sei lá porquê, mas me dedico melhor a qualquer coisa que eu faça sozinha; e a minha Monografia é algo que eu venho pensando sobre há muito tempo e eu me conheço o bastante pra saber que me chatearia tirar uma nota inferior à minha dedicação. 




Por sorte, meu pré-projeto obteve a nota máxima e eu fiquei demasiadamente feliz!
Por outro lado, tenho uma fila de 8 capas para serem analisadas e mais uns 4 livros no saldo dos "must-read" para um projeto avaliado em 10 pela banca.
SALDO DO PRIMEIRO SEMESTRE: fora as demais matérias e os infinitos trabalhos, 5 livros lidos para a Monografia, um namorado que quase serviu de saco de pancadas nos meus dias de TPM+TCC, amigos que não aguentavam mais olhar um pra cara do outro, dores de cabeça infinitas (pela primeira vez em 20 anos, inclusive) e uma satisfação absurda por ter conseguido me organizar o suficiente e ter dado o melhor de mim.

Me desejem sorte!

30 de jun de 2014

The Giver (O Doador de Memórias), de Lois Lowry

E aí galera, tudo bom? Aqui é o Rafael, eu escrevi a minha primeira resenha pro blog há mais ou menos um mês e hoje voltei pra resenhar O Doador de Memórias (The Giver), de Lois Lowry. Espero que vocês gostem!

Edição: 1 | Editora: Laurel Leaf | ISBN: 9780440237686 | Ano: 2002 | Páginas: 192

Confesso que, até anunciarem sobre a adaptação cinematográfica de O Doador de Memórias, nunca tinha ouvido falar sobre esse livro. Ainda digo mais, só me interessei por tal adaptação quando eu descobri que a Taylor Swift faria uma participação nela. Depois que vi nomes como Meryl Streep e Jeff Bridges no elenco, percebi que tinha quase a obrigação de conhecer essa história. Então fui atrás do livro e acabei lendo ele em inglês, por isso alguns termos que eu use podem ser diferentes da versão em português. O livro é uma distopia (sim, mais uma!). Apesar do gênero ser bastante popular hoje em dia, esse livro foi publicado em 1993 e não segue exatamente a linha de Jogos Vorazes ou Divergente. Para começar, ele não faz parte de uma série, nada de vários filmes com o último dividido em duas partes. Também, ele tem um tom de certa forma mais infantil, que a princípio me tirou um pouco do interesse no livro. Só a partir do sétimo capítulo mais ou menos, eu realmente fiquei envolvido.


A história se passa em um futuro e os seus personagens vivem em uma sociedade perfeita. Sem violência, sofrimento e inconvenientes mas também sem coisas simples como animais, cores ou até mesmo sentimentos. Nessa comunidade vive Jonas, um menino prestes a completar doze anos e, de certa forma, passar para a vida adulta. O que acontece é que para que tudo siga perfeito nessa sociedade - sem conflitos, doenças ou preconceito - as pessoas perderam o seu poder de escolha. Existe um comissão de anciões, que toma as decisões mais importantes: com quem cada um vai se casar, quem será seu filho ou a profissão de cada pessoa. Jonas faz parte de uma família padrão: pai, mãe e dois filhos, um menino e uma menina. Sua mãe é uma advogada e o pai cuida de recém nascidos. Sua irmã: Lily, é há alguns anos mais nova que ele. Além deles, durante o último ano, um bebê que o seu pai cuida, Gabriel, também mora com eles para melhor se desenvolver e ganhar uma família.


Se, nessa comunidade, com um ano, eles recebem um nome e são entregues a uma família; aos nove, eles ganham uma bicicleta, que serve de meio de transporte para todos os cidadãos; e aos doze, eles recebem a carreira que seguirão para o resto da vida. Na cerimônia desse ano, a Chefe dos Anciões está chamando cada um do grupo dos onze anos e dizendo qual será o seu destino. Quando chega a vez de Jonas, ela o pula e segue com o restante dos jovens. No final da cerimônia, quando já tá rolando aquele burburinho, ela diz que não se enganou e chama Jonas à frente. Nesse momento, anuncia que nenhuma carreira foi selecionada para ele, mas que ele foi escolhido para um posto de suma importância: ele será o receptor de memórias. O que acontece é que as pessoas que lá vivem não tem realmente lembranças de nada, coisas como as guerras, a fome ou coisas boas como o natal ou a neve nunca existiram para eles. Apenas uma pessoa em toda a sociedade sabe dessas coisas, o Receptor de Memórias, que guarda toda a história e é convocado quando eles precisam de um conselho para alguma grande decisão. Essa é uma posição obviamente importante e que é escolhida raras vezes, por isso o Jonas já é visto de uma forma diferente por todos (o negócio do bullying, sabe?). A última vez que isso aconteceu foi há dez anos e deu tudo errado, também por isso existe muito pressão sobre ele.


Com esse posto, Jonas também recebe alguns “privilégios” e pode questionar algumas das decisões que são tomadas. Por exemplo, quando as pessoas atingem uma certa idade ou quando um bebê não se desenvolve o bastante para ganhar uma família, eles são liberados da comunidade. Dessa forma, ele pede para ver uma dessas liberações. O que se pensava ocorrer, que essas pessoas iam para outro lugar, é feito de uma forma diferente e saber que o seu pai é responsável por algumas dessas liberações, revolta Jonas. Após ser escolhido, ele começa a ter sessões com o Doador (um velhão muito sábio no melhor estilo Dumbledore ou Gandolf, se preferirem) e começa a receber todas essas memórias. Só que a partir do momento que ele as recebe, percebe que é muito melhor viver em um mundo com cores e sentimentos, por exemplo. Mesmo tendo presenciando experiências ruins como a guerra, ele decide que o jeito que eles vivem não é o melhor. Já sei o que vocês podem estar pensando: nesse momento, ele faz a Katniss e começa uma revolução. Mas não é nada disso que acontece, pra que as pessoas possam ter novamente as memórias que só os dois têm, é necessário que outra coisa ocorra e é isso que ele vai fazer.

O livro é bastante interessante e traz uma moral muito válida, mesmo que eu não tenho muita certeza que eu tenha entendido qual é. O meu problema com ele é a falta de um clímax de verdade, quando você lerem, vocês vão perceber, e a falta de informações do seu final. Quanto ao filme, que estreia em agosto, algumas mudanças já foram anunciadas. Por exemplo, o personagem principal não terá doze anos, mas dezesseis. Dessa forma, ele tem um apelo maior entre os jovens e se encaixa melhor nos filmes que vem sendo lançados. Quanto a Taylor, que deve interessar a muitos de vocês, a sua personagem tem um papel bem pequeno, mas de suma importância para a história. O personagem principal será interpretado por Brenton Thwaites, um ator relativamente novo. No fim das contas, recomendo a leitura desse livro, acho que atualmente é um pouco difícil conseguí-lo, mas com o lançamento do filme, uma nova edição deverá ser feita e estará disponível em todas as livrarias.

Compre o livro na Livraria Cultura ou a edição em inglês, no Book Depository!

16 de jun de 2014

Psicose, de Robert Bloch


Edição: 1 | Editora: DarkSide® Books | ISBN: 9788566636154 | Ano: 2013 | Páginas: 240




Tá aí um livro que eu só li depois de ver o filme. Uma parte de mim se arrepende, mas por outro lado, fiquei satisfeita pela jogada de marketing maravilhosa que Hitchcock teve para a estreia do filme - mesmo com um investimento tão consideravelmente baixo.

Compre o livro no Book Depository ou na Livraria Cultura!


Robert Bloch não é lá um dos melhores escritores que já li, mas preciso comentar a respeito da genialidade do personagem Norman Bates, criado por ele. Quando passamos a conhecer melhor o ponto de vista de Norman, a história passa a ter outro sentido pra nós. Conhecemos, ainda que supostamente, a mentalidade de um serial killer. O livro é bem morno no início, visto que Marion (ou Mary) é uma forasteira que rouba o dinheiro de seu (até então) chefe e decide fugir para encontro de seu namorado. Durante a viagem e aquele combo clichêzinho de chuva + tempestade + letreiro chamativo, ela vai parar no motel que Norman administra junto de sua mãe, o Bates Motel. Mãe essa, devo confessar, que está sempre (oni)presente em cada passo que Norman dá.




Após um papo e de ter adquirido um pouco de intimidade com Mary, Norman conta das loucuras de sua mãe e seus problemas com a possessividade e obsessão maternal sob ele. Mary chegou sem pedir licença, quebrando fervorosamente a tediosa rotina de Norman e deixando o silencioso motel, agitado. Mal sabia ela que a noite que aparentava ser tranquila para botar seu sono em dia, se tornaria uma boa história de horror para encher os olhos - e a mente - do leitor. 




É preciso pontuar que Norman se encontrava tão pressionado por sua mãe, Norma, que ele mesmo duvidava que poderia ser ofensivo, independente ou até mesmo viver sem ela. Toda construção de suas atitudes são baseadas nela, sem contar o famoso santuário que Norman tem para homenagear (CREEPY? NEM UM POUCO) sua mãe. Noite vai, noite vem, após a famosa cena do chuveiro - e se você não sabe do que eu estou falando, sugiro que saia de baixo da pedra que você vive, com todo o amor do mundo - a história vira um misto de investigação e tentativas (um tanto quanto falhas) de compreensão ao pensamento peculiar de Norman. Claramente notamos algo errado nele, mas isso eu não tenho coragem de comentar mais a fundo e convido vocês a se juntarem aos milhares de admiradores da história e entenderem o porquê de essa trama ter se tornado mundialmente reconhecida, sendo considerada a melhor história de suspense de todos os tempos!




Você vai se surpreender, se indignar, se sentir na obrigação de finalizar a leitura e querer mandar uma carta pro autor perguntando: "COMO ASSIM, CARA?" - fato. Méritos à editora DarkSide por mais uma edição incrível e de um clássico tão incrível quanto. 
E pra terminar, fica aqui a dica: pra quem não sabe, o personagem Norman Bates foi inspirado num famoso (e louco) serial killer americano chamado Ed Gein. Vale a pena pesquisar mais sobre ele e eu aconselho que pesquisem em um dos meus blogs favoritos, o Aprendiz Verde (clique aqui e seja redirecionado para a tag do Ed Gein). 











"E, nesse momento, eu nem consigo odiar Bates pelo que fez. Ele deve ter sofrido mais do que qualquer um de nós. De certa maneira, eu quase posso entender. Nós não somos tão lúcidos como fingimos ser."
 
Minima Color Base por Layous Ceu Azul & Blogger Team